Reflexões de Quinta

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A gente nunca vai entender os motivos de alguém. A gente nunca vai entender a realização de alguém. A gente não entende, por mais que diga “eu entendo seus motivos pra fazer isso.” Merda nenhuma! Quando uma frase absurda dessas sai da nossa boca, a gente só quer mostrar que se importa e que gostaria muito de entender em sua totalidade o tamanho do significado daquilo para outro alguém.

Se de fato os motivos que estabelecemos em nossas vidas são resultados de experiências e vontades conscientes e inconscientes que associamos às nossas razões, só prova que nunca saberemos os motivos de alguém, se é que sabemos dos nossos. Quantas vezes não soubemos explicar por que estamos tanto tempo com alguém, por que escolhemos aquela cidade pra morar, por que tanto tempo naquele emprego, por que ficar a toa faz tão bem, por que tem gente que não gosta de cerveja, por que os carros buzinam tanto quando estão parados, por que as pessoas viajam, por que as pessoas voltam. A gente fica anos na faculdade lendo as idéias e suposições de dezenas de antropólogos pra tentar entender porque as pessoas viajam,  uns quatro anos pelo menos se perguntando “o que é viajar” e ainda por cima querendo saber por que elas voltam, mesmo com tantos lugares pra ir!

Vontade é um negócio muito maluco na vida da gente, que a gente fica maluco se não colocar pra fora e transformá-la num negócio qualquer.

A gente nunca vai entender os motivos de alguém porque a gente nunca vai saber aonde começa o motivo de uma pessoa e aonde começa o motivo de outra, qual vontade é de quem.

Pergunte-se por que as pessoas viajam. Pergunte a um ambulante da praia. Pergunte a um agente de viagens. Pergunte à um fotógrafo com um projeto no papel. Pergunte a um intercambista. Pergunte ao dono da loja de produtos importados. Pergunte a um viajante. Pergunte a um turista. Pergunte-se por que as pessoas viajam sempre. Porque, enquanto viajantes, somos diferentes. Porque, enquanto turistas, somos todos viajantes. Pergunte-se por que o “porque” das últimas frases é junto e o das outras frases é separado.

A gente nunca vai entender os motivos de alguém. Mas quando a gente vê a grandeza desses motivos, a gente consegue ver o tamanho das pessoas. E é maravilhoso.

Colaboradora do Blog

Thalita Peron é turismóloga, já foi da noite (calma, nāo é nada disso) e hoje coleciona histórias de pessoas que sāo apaixonadas por viajar, e realizam sonhos com sua ajuda em uma agência de intercâmbio no Rio de Janeiro.

4 comentários sobre “Reflexões de Quinta

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